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História da cachaça

04/10/2014

 

Um pouco de história

ora haja muitas estórias pitorescas e, porque não dizer, criativas sobre o marco zero da cachaça, o certo é que a sua história se confunde com a História do Brasil, tendo como protagonistas a cana-de-açúcar, o imigrante português e o escravo africano, que juntos, numa Terra de Índios, criaram a bebida que mais simboliza o modo de viver e o espírito descontraído do brasileiro.

A primeira plantação de cana no Brasil foi feita em 1504, pelo fidalgo judeu de Portugal Fernão de Noronha, que recebeu a ilha, que hoje leva o seu nome, para a exploração do pau brasil. Há referências de que o primeiro engenho de açúcar foi construído em 1516, na Feitoria de Itamaracá, criada pelo Rei D. Manuel no litoral pernambucano e confiada ao técnico de administração colonial Pero Capico. A prova documental dessa tese está nos registros de pagamento de tributo alfandegário sobre uma carga de açúcar, vinda de Pernambuco, datados de 1526, encontrados em Lisboa. Pesquisas arqueológicas, conduzidas pela Universidade Federal da Bahia, encontraram ruínas de um engenho de açúcar, datadas de 1520, nas redondezas de Porto Seguro. Pelo fato de Martim Afonso de Souza ter chefiado a primeira expedição colonizadora do Brasil, tendo fundado a Vila de São Vicente em 1532 e logo iniciado o cultivo da cana e a construção de engenhos de açúcar, tem sido defendida a tese de que a produção do açúcar tenha sido feita pela primeira vez no litoral paulista.

Apesar de não haver um registro preciso sobre o verdadeiro local onde a primeira destilação da cachaça tenha sido iniciada, pode-se afirmar que ela se deu no território brasileiro, em algum engenho do litoral, entre os anos de 1516 e 1532, sendo, portanto, o primeiro destilado da América Latina, antes mesmo do aparecimento do pisco peruano, da tequila mexicana e do rum caribenho.

Autoria: Prof. Jairo Martins (O Cachacista), autor do livro "Cachaça, o mais brasileiro dos prazeres"  e Associado Honorário do Instituto Brasileiro da Cachaça.

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